os pré-weddings, sessões de fotos e tudo o que não é casamento

eu vejo noivos que vão se casar tão empenhados e gastando pesado para terem sessões de foto super produzidas, com os save-the-date e os trash-the-dress e os estamos-aqui-de-roupas-normais-e-muito-maquiados-tirando-fotos-no-parque-fazendo-de-conta-que-é-muito-rotineiro-rolar-na-grama-em-público, ou fazendo pequenos documentários cheios de sorrisos, como se a noiva nunca tivesse ficado emburrada quando o sujeito fez algo que a desagradou e o cara nunca tivesse mandado a namorada à merda nem que fosse secretamente, só dentro da sua cabeça.

juro, eu os entendo. entendo porque um dia eu também achei que precisava mostrar pro mundo em registros o quanto o meu casamento tinha tudo pra ser um sucesso. e também porque, antes de casar, eu achei que sabia o que era ser feliz. achei que felicidade era ficar rindo para uma câmera, era contar para a sociedade trechos de histórias cotidianas desinteressantes sobre como nos conhecemos, sobre o quanto o destino armou para nos colocar juntos, sobre como somos imbatíveis quando estamos juntos. e achei que se eu não fizesse todas as fotos do planeta em todo tipo de pose, algumas bem idiotas, me arrependeria no futuro, afinal eu certamente ia querer ter todos os registros possíveis da festa do meu casamento.

talvez alguns desses casais que vejo em blogs e nas redes sociais, sorrindo histéricos, forçando interação, não estejam preocupados apenas com uma coisa tão efêmera quanto o pré-wedding, talvez eles achem que aquela é só uma minúscula e menos importante parte da vida inteira que eles tem pela frente. que bom para eles, se assim estiverem concatenando os fatos. esta inteligente minoria.

pro restante, se eu pudesse gritar algo que todos eles fossem ouvir, é isso que eu diria. a festa é esterco.

eu me arrependo de ter gastado tanto dinheiro e energia com uma coisa tão insignificante assim. de ter investido absurdamente em fazer e não em ser. eu devia ter passado mais tempo encontrando ferramentas, dentro de mim, para me colocar no devido lugar perante a vida e os outros, para aprender a ter compaixão, a deixar pra lá, a ser mais leve, a assassinar a Dona Florinda neurótica que vive dentro de mim dentro de todos nós e que volta e meia quer falar.

eu olho para as fotos do tal casamento e não me identifico com nada daquilo mais. porque depois daquela festa, veio a vida real. e a vida real se sobrepõe a qualquer tipo de ilusão que você tente criar.

hoje, eu festejaria sim, mas sem DJ, sem buquê, sem bolo fake. celebraria o amadurecimento conquistado dia a dia, a compreensão às vezes tão difícil de conceder ou receber, os dias em que consegui passar sem magoar a pessoa que vive comigo. chamaria cinco ou seis pessoas. e faria uma oração.

talvez tivesse um bolo de cenoura com chocolate. porque ninguém é de ferro.

 

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Domingo, Abril 25, 2010

No escuro do meu quarto, de madrugada, eu me encontro com Deus. E me deparo com a realidade de que Ele sabe tudo a meu respeito. Que o computador é o meu túnel cavado na parede da cela, que a comida é a minha algema e que o espelho é o meu revólver. Ele sabe que eu sou mais triste do que pareço e que as minhas unhas denunciam minhas misérias. Minhas fobias. Minhas mentiras. 
No meu quarto, na madrugada, consigo gritar meu sufoco. O que Ele ouve é “me alivia, Senhor”. E o que Ele diz é “Vem”.
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a amizade de disenteria

a ideia era falar só de casamentos. mas nós não somos tão senhores da coisa assim, como disse um professor de história uma vez. a vida escapa das mãos. as inspirações nem sempre vem do que está calmo. às vezes elas brotam do que está tumultuando, do que está perturbando nas madrugadas, do que anda te fazendo abrir a geladeira para procurar por algo que não está lá dentro.

eu descobri uma coisa sobre as amizades.

elas são ainda mais raras do que você imagina.

muito do que nós chamamos de amizade são, na verdade, relações de interesse ou somente convivência.

quando algum desses dois fatores, por algum motivo, se vão, aquela relação esmorece junto. aí tudo o que sobra é a conversinha que necessariamente inicia com a frase “nossa, quanto tempo, temos que combinar”, revelando o esforço que é para aquela pessoa te procurar.

o que é uma merda, sem dúvida alguma.

eu sei o que você vai dizer. que as amizades verdadeiras cabem em uma mão. mas se você olhar com atenção, talvez descubra que não há nem um dedo sequer. que não há um amigo sequer.

experimente parar de beber. ou se entristecer profundamente. experimente se divorciar. ou decidir por não ter filhos. os amigos verdadeiros, e somente eles, estarão de plantão, alertas, prontos para administrarem suas questões. para dissecá-las. desapegados de todo julgamento.

os que não são, vão te olhar com alguma piedade, mas desviarão o olhar assim que você começar a falar, numa escapadinha rápida, apenas para checar se há algo mais interessante acontecendo em volta que ela possa estar perdendo.

conhecer alguém assim ou ser alguém assim… ah, que disenteria.

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minha vida é um videoclipe da Beyonce

com uma música do Jon Secada de fundo, eu corro em câmera lenta descalça na chuva. meu cabelo está grudado na minha cara como no videoclip da JoJo. há lágrimas nos meus olhos e a música do Jon Secada chega ao seu ápice quando abro a porta do meu apartamento e lá está o meu amado, sentado no sofá, olhando para a janela. ele vira em câmera lenta para mim e em seu olhar há decepção.

uma cantora de R&B faz um solo improvisado no exato momento em que eu começo a tentar explicar, mas não há tempo porque a música do Jon Secada está em último volume e eu estou me movendo em slow motion.

estou encharcada da chuva. meu cabelo está lindamente bagunçado e eu pingo em câmera lenta por toda sala.

o amor de minha vida balança a cabeça, suspira, e finalmente diz, com seus olhos cheios de lágrimas, magoados, seu coração machucado:

“você tomou todo o refrigerante e não deixou nem um golinho pra mim”.

e assim é o casamento em alguns dias.

drama.

 

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pois é. armários.

então. tenho mais melissas que descobri que preciso vender. desta vez, para pagar o armário que eu preciso construir na minha casa de recém-casada. afinal de contas, não desejo nem pro meu inimigo guardar suas roupas íntimas em uma caixa de plástico da Casa China e suas toalhas em sacolas da Pernambucana.

definitivamente eu preciso de mais panos de prato também. como se a vida já não fosse interessante o suficiente.

Melissa Malika.

Modelo: Malika
Cor: Marrom flocada.
Tamanho: 38
Usada? Três vezes.
Possui Caixa? Não
Possui Saquinho? Sim
Preço: 75,00 + frete
Aceita troca? Não
Contato: tuduch@hotmail.com
Defeito: não.

Melissa Gold. usei bem pouco.

Modelo: Gold
Cor: azul
Tamanho: 38
Usada? sim
Possui Caixa? Não
Possui Saquinho? Sim
Preço: 40,00 + frete
Aceita troca? Não
Contato: tuduch@hotmail.com
Defeito: não.

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a minha vida de dois empregos

eu já descobri. é tudo um grande plano. uma armação disfarçada de rotina para que eu não perceba. para que eu não repare na minha vida gotejando enquanto eu me mato de trabalhar e mantenho meu cérebro completamente tomado.

duas propostas de emprego para escolher. e lá se foram 3 dias sem dormir. 3 dias inteirinhos que se foram como se de polvilho fossem. 3 dias em que nada, nenhuma outra coisa, cruzou minha mente.

a novela, o paracetamol, a hipertensão, tudo faz parte de um grande truque. para te manter mentecapto. eles te preocupam, mas também te neutralizam, tomam teu tempo, para que você não decida nada relevante. para que você mantenha tudo bem diante da sua barriga, empurrando.

quando tomo banho, o barulho do chuveiro me faz lembrar. lembrar de mim. o barulhinho que não me deixa esquecer. que eu sou uma pessoa que ainda não sabe bem o que quer. e disfarço sendo comum.

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eu não quero ser a Dona Florinda

o meu sonho sabe qual é?
ser uma esposa incrível.
uma esposa que tem capacidade de ignorar a bruxa de bobs que grita incessantemente dentro dela. a bruxa que não quer que a esposa faça o marido feliz, mas sim que ela o mude. deixe-o bem do seu gosto. “ele é bom, não estamos dizendo que não. só que ele pode ficar melhor”.

quem eu estou querendo enganar? não existe bruxa nenhuma. a não ser eu mesma.
eu não quero mais ser assim. não quero mais ser essa mulher que parece com a Dona Florinda. feia, carrancuda, azeda, que vive com a sobrancelha para baixo, dizendo o que o marido deve vestir, opressora, que exige ao colocar na parede, pressiona ficando emburrada.
quero me arrepender dessa atitude.

o que flui de mim é o falar duro, o coração impiedoso, o olhar que reprova. e não a mansidão, o carinho sem motivo, o sorriso que aquece.
eu não quero mais ser assim.
eu não aguento mais ser assim.
o pior é que eu não sei mais como me desculpar. porque eu não sei mais o que fazer.
Jesus, tem dia que eu desejo nascer de novo, zerar as coisas, crescer mais atenta a mim mesma, fazendo reparos nas psicopatias enquanto é tempo.

enquanto é tempo.

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