a amizade de disenteria

a ideia era falar só de casamentos. mas nós não somos tão senhores da coisa assim, como disse um professor de história uma vez. a vida escapa das mãos. as inspirações nem sempre vem do que está calmo. às vezes elas brotam do que está tumultuando, do que está perturbando nas madrugadas, do que anda te fazendo abrir a geladeira para procurar por algo que não está lá dentro.

eu descobri uma coisa sobre as amizades.

elas são ainda mais raras do que você imagina.

muito do que nós chamamos de amizade são, na verdade, relações de interesse ou somente convivência.

quando algum desses dois fatores, por algum motivo, se vão, aquela relação esmorece junto. aí tudo o que sobra é a conversinha que necessariamente inicia com a frase “nossa, quanto tempo, temos que combinar”, revelando o esforço que é para aquela pessoa te procurar.

o que é uma merda, sem dúvida alguma.

eu sei o que você vai dizer. que as amizades verdadeiras cabem em uma mão. mas se você olhar com atenção, talvez descubra que não há nem um dedo sequer. que não há um amigo sequer.

experimente parar de beber. ou se entristecer profundamente. experimente se divorciar. ou decidir por não ter filhos. os amigos verdadeiros, e somente eles, estarão de plantão, alertas, prontos para administrarem suas questões. para dissecá-las. desapegados de todo julgamento.

os que não são, vão te olhar com alguma piedade, mas desviarão o olhar assim que você começar a falar, numa escapadinha rápida, apenas para checar se há algo mais interessante acontecendo em volta que ela possa estar perdendo.

conhecer alguém assim ou ser alguém assim… ah, que disenteria.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para a amizade de disenteria

  1. Renata disse:

    Quando finalmente descobri isso que você explicou aqui, fiquei meio sem chão. Achava que o problema era comigo, sei lá. Mas não, é assim mesmo, com todo mundo, só que tem gente que admite e outros que preferem viver na ilusão dos verdadeiros amigos eternos. Até devem existir, mas são poucos. Eu não tenho nenhum. Aprendi a conviver com isso e aproveitar as amizades do momento (algumas mais longas, mais presentes, outras não). Acho que amigo, mesmo, pro que der e vier, pras horas boas e ruins, só meu marido. Pra mim tá de bom tamanho, não ia aguentar contar as mesmas histórias em detalhes mais de uma vez, rs.
    Beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s